Monday, January 15, 2007

As AsAs

 

         Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar”

                                                                                                             Nietzsche

                Sem qualquer motivo as minhas asas abrem e querem levar-me novamente. Não sei para onde.

               As minhas asas, como a minha consciência, a minha mente. Pois, no interior da minha essência, sei quando é a altura de ir embora. Quando a minha presença, teve o efeito pretendido pelos Deuses. Ou o resultado previamente estabelecido pelo Destino.

              Depois de tantas viagens, de tantas vidas, pensei que agora poderia viver a que me resta. Mas surge sempre uma nova missão, uma etapa a cumprir e lá vou eu no sabor do vento. As asas, afinal não significam liberdade. Estou mais presa e agarrada ás asas e ás minhas palavras que á minha própria vida. E não foi opção.

             Agora, deitada no meu sofá, apenas respiro. Sem qualquer outro pensamento, estou no vazio da solidão. Preferia permanecer, a ter novamente de congelar o sangue das minhas veias e fingir que o meu coração morreu. A verdade é que não sou um anjo. Apenas consigo fazer alguém libertar o que tem de melhor em sí e ainda não sabe. Como uma magia, faço brilhar uma mente escondida, provoco a procura da felicidade na trsiteza e entrego um doce no fel da vida.

           Contudo, não sou visívsel. Transparente e suave ou Opaca e ríspida. Ar ou Rocha.

            Voar sem liberdade. O Poder da felicidade a outros. E eu?         

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Friday, January 12, 2007

A mOnTaNhA

 

     ” Dê-me o benefício das suas convicções, se as tiver, mas guarde para si as dúvidas. Bastam-me as que tenho ” 

                                                                                                 Goethe

 

                           A certa altura, pensei estar a subir uma montanha. Por vezes, caminhava e outras apanhava uma boleia. Não sabia o que existia no fim ou se existia sequer um fim, uma vez que não vi o ínicio. De repente já estava a caminhar naquela estrada.

                         Olhava á minha volta, como se nunca tivesse visto as árvores verdes, na minha vida. Respirava ofegante pela pureza do ar. O meu cérebro, completamente confuso, pela falta de organização em todos os meus pensamentos. E onde estavam os príncipios de vida? E a razão? Era como se o sentido, fosse agora invertido e eu a imagem que queria ver no espelho.

                         O controlo foi perdido logo após a primeira curva do caminho. O calor era ainda da baixa altitude e rapidamente foi arrefecendo. conforme ía subindo. Trocava as palavras, os conceitos, os nomes. O que dominava era a ansiedade, a insanidade de querer ser quem não sou. Entrar na pele de alguém. melhor que eu, mais bonita, mais inteligente, com um dom ou dois e verdadeiramente amada.

                          Anoiteceu e as estrelas estavam por cima da minha cabeça. Deitei-me na caruma e quase tinha esquecido quem sou. Adormeci no vazio em que estava a minha mente e acordei nua. Estava despida de mim e não reconheci qualquer virtude ou defeito mas continuei no trajecto da montanha.

                          Com o sol a bater-me nas costas, restava assumir a minha falta de capacidade para resistir ao que faltava andar. Sem príncipio ou sem fim. No vazio da complexidade da floresta, Eu nunca ía desistir da minha essência, uma vez retirado o exterior. Nunca vou desistir de chegar a um topo, quer seja gelado como eu ou derreta o meu coração com o calor tropical.

                          E agora, com o vento no meu cabelo e um último pensamento, sei quem vejo no espelho.

 

 

 

 

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Tuesday, January 9, 2007

INÈRCIA

 

                            

              “  Todas as maravilhas de que precisas estão dentro de ti. “

                                                                                Sir Thomas Browne

             

                    Caí. Afinal não tinha rede nenhuma por debaixo do trapézio. De várias maneiras tentei o equilíbrio, no entanto, a luz ofuscou-me e perdi o sentido da altura em que estava. 

                    A vida é mesmo assim. Quando achas que estás segura de ti, que sabes o que pisas, de repente caís. E as alturas variam conforme o espetáculo, tal como a dor perante o tipo de ferida    

                   Eu, completamente no chão. Agora terra firme.  Não sinto nada. Estou consciente mas inerte.

                   Um turbilhão de pensamentos invadem a minha mente, eu a desejar fechar os olhos e bloquear o sangue que continua a irrigar o cérebro. Não é a primeira vez que falho um pé ou uma mão, um pensamento ou uma acção, contudo desta vez, não quero levantar-me.

                    As nódoas negras e os hematomas não são visíveis. Escondidos no meu coração, na minha mente ultrapassam qualquer dor fisica que também deixei de sentir quando comecei a cair.

                    Caminhar sobre um fio ou fazer um mortal no ar, significa o mesmo que viver e acordar todas as manhãs a tentar um equilibrio fabuloso na conquista da vida e se não saltas, não arriscas e também não ganhas.

                   Assim, o meu trajecto foi no fio, saltei, fiz um mortal para a frente e caí porque o seu sentido desvaneceu-se em mim.

                  Na inércia, permaneci. Sem a asfixia do que esperavam sempre de mim. Com defeitos, sem virtudes, novamente nua e despida da força da vida que me embriagou.

                  Alguém puxa por mim e com a máscara de trapezista, ergo o meu corpo e levanto a minha auto-estima para outro espetáculo, para outra vida.

 

 

 

        

              

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