Monday, February 26, 2007

#O Reflexo#

 

A alma que abriga a filosofia deve, para a sua saúde, tornar o corpo são “

                                                                                                     Montaigne

 

       O reflexo  da alma encontrada no olhar; como já alguém o disse.

       Pequenas ou grandes, em olhares fugidios ou intensos. Cada vez menos acredito na sua interpretação e cada vez mais  enganada por um olhar, ou melhor, por uma alma.

      No corpo reside a matéria; como a queremos; como a temos. Real ou ficticia, a imagem é que traduz o óbvio. E o que está por detrás desse corpo? Para além da mente, para além da personalidade? Onde está a essência do que poucos procuram, enquanto outros têm a certeza da sua posse.

     A alma, que é a cúmplice dos meus actos, dos meus pensamentos, dos meus desejos. Apesar de neste momento, andar por aí perdida, tal como eu a tentar reencontrar-me.

      Contudo, com ela ou sem ela, no meu olhar o seu reflexo é sempre genuino.

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Thursday, February 15, 2007

***mIMo***

 

              ” Nada é constante neste mundo senão a inconstância “

                                                                                                   Swift

      A Força intrínseca em mim. No suor das minhas palavras, quando dirigidas a um alvo. Sempre positivas. Jamais sem sentido. Afinal o sorriso dos outros consegue trazer um pouco mais de oxigénio ao meu coração.

       Com a abertura dos cortinados, esqueço quem sou. Esqueço a minha dor,  para que á minha frente, a felicidade tenha a côr intensa do violeta. Enquanto a minha alma, ainda beringela, assume o rosto de um ” mimo”, completamente branca.

       Sempre disse que a ignorância traz uma felicidade atroz; Que a importância das coisas é relativa. Então, porque não esquecer a minha essência, se apenas a imagem, consegue colorir as faces de quem me observa?

       A linguagem verbal traduzida pela mimica e a atitude pelo olhar; Atingirá com certeza quem me conhece verdadeiramente. Olho para o céu e como sempre, procuro a nuvem que choverá em mim  para limpar a máscara que esconde a minha sensibilidade.

        Sem luta, ódio ou rancor, prefiro passar o tempo a pensar que existe um anjo ainda a tentar dar-me o sentido que procuro. Enquanto isso, prossigo o meu trajecto.

       Passo e nunca fico no lugar, na mente ou vida de alguém.

 

 

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Thursday, February 1, 2007

ABANDONO

 

“A coragem significa um forte desejo de viver que toma a forma de disposição para morrer.”

                                                                                                     Chesterton

     Pouca luz vejo. Não sei onde estou. Um buraco profundo onde as paredes parecem esculpidas para mim. Imagens da minha vida com a tortura do que já esqueci. As pessoas e os momentos que se preencheram, também esvaziaram a minha mente. O cansaço ou a falta de ar, pela enclausura.

        Nada receio, deixada já sem a minha alma. Em ossos e pele, manifesta-se o que resta da minha essência. Se moribunda, estarei  no meu túmulo. A aguardar o sol ou a escuridão. Os deuses que decidam, pois afinal eu estou ainda em palco a representar o meu papel. E o argumento está sempre a mudar. Ora amada, ora odiada ou terei lido mal? Se calhar, desejada e desprezada?

        Tantas indefinições, devem querer dizer algo. A morte ou a insanidade?

         De vez em quando adormeço. Sonhos que me afastam completamente da terra. que me tiram qualquer sentido para permanecer aqui.

         Olho para cima, quando a esperança me toca. Pelo menos a lua pudesse espreitar, fixar o meu olhar sem brilho. Mas a minha força não suporta nem a rejeição de um pirilampo.

          Sem questões ou constatações, deixo-me ficar novamente inerte.

          Ou a Asfixia completa da minha mente ou o Abandono total do meu corpo.

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