Tuesday, April 24, 2007

PALAVRA!?

 

        ”Quando não podemos mais sonhar, morremos.”

                                             Emma Goldman

 

         Matar o meu ego e torturar o amor próprio. Esquecer qualquer traço de personalidade e alienar-me aos acontecimentos. E como uma cobarde, fugir sem olhar para trás.

       Olhar para a frente, á espera sempre de encontrar o olhar devastador de um Deus a culpar-me pelas coisas ruins que passaram pela minha mente. Afinal, corri no sentido errado toda a minha vida e acreditei que os outros é que estavam na escuridão.

      Todas as falhas, esclarecidas, assumindo o fardo pesado da vida, sustentada um dia pela leveza da minha morte.

       A morte a acontecer durante o sono, onde os sonhos nunca existiram e a razão perdida pela necessidade de um toque. Depois, acordada, o ar  é tão atroz como os pensamentos que  viajam dentro de mim.

       Escondo, assim a vida por detrás apenas de um corpo de sentidos e soluções aquosas que embebedam o meu espírito. A aguardar os fantasmas subirem o pano e eu terminar o desempenho da minha loucura.

        De facto, não resta mais nada para ver, sentir ou acreditar. Somente a minha palavra.

       

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Monday, April 23, 2007

O suicídio

 

               ” A melhor morte é aquela que nos agrada ”

                                                               Montherlant, Henri   

    Sinto o teu coração bater, desejo o teu olhar. As tuas pulsações no meu peito, as tuas ancas a enrolarem as minhas. Num momento, temos o mesmo corpo.

    Entrego a minha mente, enquanto me possuis. Sou muito mais do que pensas, muito mais do que vês. Não sou tudo o que sentes, porque sei que podes sentir muito mais.

   Fixo o teu olhar. Vejo quem és e tu vês o que quiseres em mim. Consigo ser tudo, menos tu. Tenho asas e tu não. Tu tens o meu coração e eu não.

   A tua boca colada na minha pele. Mordo a tua carne para não esquecer o teu sabor. E o peso do teu corpo, filtra a leveza da minha alma. 

   Estou a planar por cima de ti. Ès o meu abismo e sei que vou cair. Antes disso,  permito que o meu coração bata e sangre até ao fim. Só depois posso voar. Só depois posso  morrer.

   Conheço o fim e vivi o príncipio. Derrubei o muro e vou morrer para ergue-lo novamente.

  

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