TALVEZ
” Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura .”
Nietzsche
Entre montanhas e mar, abro as minhas asas e mais uma vez fecho a porta da muralha.
Nos teus braços esqueço o que existe no resto do mundo. Encerro cada momento na minha mente, sem perder a razão e sem banalizar o sentimento. No entanto, conheço o seu fim, que tal como eu é efémero.
A subtileza do teu olhar entre as palavras atrozes que fogem da tua boca, sem a sensibilidade da precepção, atingindo como setas o meu coração gelado.
Qualquer sensação, absorvida na totalidade pois é apenas imediata e não se repitará. Qualquer desejo, satisfeito no segundo a seguir, senão jamais saciado.
A contagem decrescente a partir de agora, apesar de sempre conhecida.
Resolvido num suspiro e ressentida no meu corpo que adormecerá serenamente e sem qualquer sentido de posse.
Talvez não te conheça, talvez apenas te sinta. Nãio sei.
Sei que sairás da minha vida, que por um momento o meu coração parará, no entanto permanecerás na minha mente.