Friday, January 12, 2007

A mOnTaNhA

 

     ” Dê-me o benefício das suas convicções, se as tiver, mas guarde para si as dúvidas. Bastam-me as que tenho ” 

                                                                                                 Goethe

 

                           A certa altura, pensei estar a subir uma montanha. Por vezes, caminhava e outras apanhava uma boleia. Não sabia o que existia no fim ou se existia sequer um fim, uma vez que não vi o ínicio. De repente já estava a caminhar naquela estrada.

                         Olhava á minha volta, como se nunca tivesse visto as árvores verdes, na minha vida. Respirava ofegante pela pureza do ar. O meu cérebro, completamente confuso, pela falta de organização em todos os meus pensamentos. E onde estavam os príncipios de vida? E a razão? Era como se o sentido, fosse agora invertido e eu a imagem que queria ver no espelho.

                         O controlo foi perdido logo após a primeira curva do caminho. O calor era ainda da baixa altitude e rapidamente foi arrefecendo. conforme ía subindo. Trocava as palavras, os conceitos, os nomes. O que dominava era a ansiedade, a insanidade de querer ser quem não sou. Entrar na pele de alguém. melhor que eu, mais bonita, mais inteligente, com um dom ou dois e verdadeiramente amada.

                          Anoiteceu e as estrelas estavam por cima da minha cabeça. Deitei-me na caruma e quase tinha esquecido quem sou. Adormeci no vazio em que estava a minha mente e acordei nua. Estava despida de mim e não reconheci qualquer virtude ou defeito mas continuei no trajecto da montanha.

                          Com o sol a bater-me nas costas, restava assumir a minha falta de capacidade para resistir ao que faltava andar. Sem príncipio ou sem fim. No vazio da complexidade da floresta, Eu nunca ía desistir da minha essência, uma vez retirado o exterior. Nunca vou desistir de chegar a um topo, quer seja gelado como eu ou derreta o meu coração com o calor tropical.

                          E agora, com o vento no meu cabelo e um último pensamento, sei quem vejo no espelho.

 

 

 

 

Posted by Miranda at 12:03:48 | Permalink | No Comments »